segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Que eu receba uma notícia dele qualquer coisa dele só pra eu lembrar
parece dar tudo errado
e o tempo o destino o fado que nos quer separar
Tudo que não coincide
coisas que teimam em não cruzar
e não depende mais só de mim pra fazer tudo voltar
Os planos andam brincando comigo
e nada parece ajudar...
É sempre coisa no caminho
empecilho
e não dá pra tirar.
Você tenta você tenta eu também.
Ao pensar nas possibilidades
entro em desespero
arranco cabelo
esperneio
porque nada parece certo
Que rumor estranho e incerto
que humor que acaba comigo e dilacera
parece que te tive junto em outra era
e agora nunca mais as coisas voltam,
pois parecem outras
distantes
a dor de amor dor de amante
num mundo onde tudo é desigual injusto.
Vejo muros vejo muros sem passagem
quando foi a última vez
da viagem?
Quando foi a última vez que lembrei de mim?
Quero as horas quero a quase tarde quero o meio
o dia
quero coisa que nenhuma outra teria
se não fosse assim de se jogar
em qualquer coisa.
Mas já não vejo alegrias
separação coisa perdida.
Do que chamo essa coisa quebrada?
Só convém chamar de vida.
É assim que sinto
e eu só sei sentir
Quando estiver sozinho, escute. Ouça a voz que te canta. Sou eu. Você imagina que sim. Você sabe que sim. Eu sei que você sabe. Que você sempre soube. Agora é a última tentativa. Pelo menos, a última de uma forma direta.
Quando puder, escute. Nem que seja só um pouquinho, mas precisará de silêncio. É necessário para que se sinta, se quiser sentir e para que se entenda, se quiser me entender. Coloque a música baixinho, tome um café ou não faça nada. Enquanto ouve, feche os olhos, lembre de mim. Lembre de mim de um jeito bonito, pelo menos nessa hora, por favor. A voz que você ouve é minha. É tudo o que eu queria te dizer ou te cantar, mas não consigo.
Faça dessa a minha música, se pra você já não existem outras. Mas faça dessa a música que, onde quer que ouça, você evocará uma lembrança só nossa. Qualquer lembrança. Você lembrará do meu rosto ou de qualquer outra coisa minha. E só minha. É importante.
Eu sei que você consegue. Então imagine que, no momento em que estiver ouvindo, eu estarei na tua frente, te olhando com meus olhos de sempre, do meu jeito desesperado. Te cantando essa música com a voz que eu nunca soube que possuía, até que você me mostrou. Com a coragem que só tenho contigo. E a voz vai começando baixinha, quase com medo, mas aumenta e fica forte, e é impossível calá-la agora, ela continua forte cantando essa música. E eu estou na sua frente sem estar, você vê? Eu estou na tua frente, como sempre estive. Estou ao teu lado, te olhando espiã, te seguindo. Pra sempre. E o pra sempre é o pra sempre do tempo da canção.
Estou te cobrando respostas. Estou te cobrando, sim - Ou não. Deveria e faço sem certeza ; Certeza de muitas coisas eu nunca tive. Tudo às cegas ou talvez tudo claro demais para que eu consiga pensar. Mas te cobro respostas para as perguntas que te faço por outros meios ; Te cobro respostas aos meus textos ; Te cobro só um sim ou não ; Só um sim.
Continuo sempre
continuo porque a cabeça não para nunca
nem isso que chamo, erroneamente, de coração.
Continuo com meus versos
minhas frases desconexas
que fazem um sentido absurdo pra mim
e que levantam suspeitas em você
ou nem isso.
Continuo sem respostas
nem o ponto final
pode ver que mal o uso
pois não sei onde fica
o fim disso.

Por enquanto as coisas me levam
por enquanto só tem vírgula
porque cobro, ou melhor, exijo palavras
respostas
concretas
e não as tenho.

Você finge não saber ou tem medo do real?

Minhas palavras são vírgulas sem ponto final.
Coloquei um papel ao seu lado. Tímido, dobrado... escrito quase que sem querer
Coloquei um papel e fugi coloquei um papel e parti
coloquei um papel de adeus.

Um adeus típico de quem nunca disse adeus
um adeus de quem não sabe dizer adeus
de quem não sabe dizer.

“Esquecendo você – Tom Jobim.”
Quando posso descansar e não descanso por não ter.
Quando posso te falar e não sei
quando posso te olhar e não sei
E assim as coisas acabam
e recomeçam
e acabam
comigo junto
sem recomeço
Sem olhar
sem fala
sem nada
de nada
coisa entalada
nó de gravata
cadê que sai?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

No último segundo do último encontro do último amor, entregou-lhe um papel. Pensou em cantar mas não achou voz onde sempre achava. Não havia o estímulo. Era cantar com medo e a voz mal saía. Queria cantar porque sabia que em algum lugar ela tinha a força. Mas onde? Não encontrou a voz no tempo certo e não havia nada que a encorajasse a cantar.

E como não achasse voz para nada, simplesmente mandou que escutasse a música assim que chegasse em casa, em um tom que nunca havia usado e soou estranho em seus ouvidos: o de mandar.

É preciso, é preciso que você escute, não diga nada agora, só me deixe falar. É preciso que você escute e entenda bem algo que acho que você sempre entendeu mas não sei se do meu jeito, do jeito que eu esperava ou imaginava. Escute na solidão e ouça a voz como se minha fosse – no fundo é e você saberá. Eu já não acho palavras e tomo as de outros, eu já não sei o que falo pra você mas sobre isso você estava certo. Você sempre esteve certo. Você sempre vai estar certo. É você, sempre.

Papel rasgado, retirado do que lhe era cotidiano. Letras garrafais em azul pediam: Onde você estiver não se esqueça de mim.

Ele ouviu?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Procuro alguém pra me ajudar. Alguém que me escute sem julgamentos. Alguém que ouça do amor com paciência. Procuro alguém que me mostre os caminhos, trace novas rotas e planos que eu, fiel, seguirei só para tê-lo. Procuro. Procuro alguém que ouça sobre ele com demasiada atenção e que não se importe se, de repente, eu chorar por horas ou dias – mas seria melhor dizer noites- e depois durma, sem vontade de nada, vencida pelo cansaço. Procuro alguém que me mostre o verdadeiro tempo, que me encare de frente e me dê a esperança pra continuar amando-o, mesmo quando tudo parece me levar para a separação.

Mas já estão todos cansados, já estão todos de olhos fechados.