Memória olfativa não me trai mais. Isso tudo é impulso para a nossa queda livre. Especialistas diriam que cairemos a 200 km/h. Poetas, essa gente antropofágica, diriam que enfim seremos livres. A queda é o nosso império, nosso topo mais alto. O resto é ruína.
Encostado fumando
Ao teu lado
esmurrei paredes
esfolei os ossos da mão
finquei unhas no asfalto chuvoso.
É que eu só podia ter fumaça de cigarro
mas não quem a soltava pra mim.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Conteve-se por 17 anos no uso dos pronomes possessivos pra designar outra pessoa. Não podendo mais, explodiu-se em verborragias fágicas e encheu laudas e laudas de meu meu meu meu meu meu meu meu meu
domingo, 10 de junho de 2012
Se a casa está assombrada
não é por viagens passadas
nem por outros espectros
que não eu.
A pequena fantasma
que quase não sabe ser vulto
mas gosta de te encostar mansinho
enquanto adormece.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Essas ruas vazias da madrugada me dão a certeza de que poderíamos povoá-las feito dois vampiros doentios.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
A vontade de te encarar e dizer
como estava bonito hoje
Mas morrem nos meus lábios as palavras.
(Só não adormece o desejo)
terça-feira, 5 de junho de 2012
Acho que encontrei forma mais sábia de morrer. Tomada de remédios e álcool, só me sobrariam nos bolsos os papéis com teu cheiro, um cigarro molhado, uma chave, pedras de diversos tamanhos.