Ainda existem remédios pela casa pra fazer qualquer pessoa dormir por meses.
Dessa vez eu acredito que não vá ter erro.
Sem remédios de estômago
Sem remédio de dor de cabeça
Nada dessas coisas triviais que não surtem efeitos.
Estou acostumada.
Escolher os remédios mais fortes
com substâncias que brigam entre si
uma guerra nuclear dentro de mim
uma explosão atômica
A verdadeira guerra do Iraque
no meu corpo.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Ontem uma estranha carga de energia me percorreu
Uma fraqueza que vinha das pontas dos dedos.
De saltos, cedi ao meu peso
Não só o do corpo
Mas das ideias também.
Cedi ao que eu tinha
me agarrei na solidão
com unhas e dentes
porque era a única coisa
real.
Tirei os sapatos,
tomei um remédio,
deitei.
Ainda assim,
a sensação
de não estar em mim,
continuou pela madrugada.
Uma fraqueza que vinha das pontas dos dedos.
De saltos, cedi ao meu peso
Não só o do corpo
Mas das ideias também.
Cedi ao que eu tinha
me agarrei na solidão
com unhas e dentes
porque era a única coisa
real.
Tirei os sapatos,
tomei um remédio,
deitei.
Ainda assim,
a sensação
de não estar em mim,
continuou pela madrugada.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
O Amor estava do meu lado criando azul. O amor estava na mesa com conversas sérias e sobretudo preto. O amor fez desejo com meus cílios e se identificava pelo cadeado no pulso. O amor me desencontrava, às vezes, na hora do almoço. E era seguido com olhos ávidos enquanto caminhava. Aprendeu a falar muito, sem nada dizer. O amor foi secreto quando devia e gritou a plenos pulmões quando, então, pôde. O amor me deu o número 10 e se espalhava pelas paredes todos os dias, sem levantar suspeitas. Me apresentou um fabuloso destino, surgiu Florentino Ariza nos tempos do Cólera. O amor me deu apelidos secretos, me mostrou o sol das 17h no alto do primeiro parque. O amor me fez companhia no pôr do sol e no nascer dele. Dividiu camas e memórias. Marcou com sangue o algodão e me fez pactos. O amor recebeu um cadeado sem chave quando nem se sabia amor de vida. E jurou eternidades quando ninguém mais jurava. É Marat, morto na banheira, é Keaton, é Sid, é Nino. O amor me contou dos rios e seus afluentes. É vizinho de sonhos e mortalha. Construiu uma camisa-de-força para dois e escreveu no meu corpo. Ficou marcado como tatuagem. O amor é orquídea que cresce mansinha na sombra mas cresceu e cresce tanto que abri as janelas e as portas. O amor é imenso. Foi como o de Drummond, de Bowie, Chico Buarque, Leonilson. Mas, mais do que tudo, o amor foi meu – com as mãos sujas de tinta e o olhar doce.
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