segunda-feira, 7 de abril de 2014

Tendo ao equilíbrio. Transferência de peso. Exaustão. Não quero ir, eu quero ir, não quero mais. Meu corpo fica. Não, não. Andar pra frente é andar pra trás e para os lados. Eu sei que me mexo pro infinito. E cresço e me expando e me desvio. Vetorial. Sensores. Corpo-bomba atômica. Moléculas que se agitam, movimento uniformemente acelerado. Aceleração. O dedo se move e eu ouço um estalo. Ele se viu vivo. Começou o movimento - nu aos olhos dos observadores. É alguma coisa aqui dentro que inicia tudo. Os pulmões? Os rins? As costelas?
Deixar-se levar pelo corpo. Vontades. A mão exige crescimento. A perna, uma queda. Demanda. Obedeço. Do lado de fora. Maturação percepção modificação.
A fome do movimento. Mesmo que movimento signifique mexer a língua ou encher o céu da boca de saliva. Olhar e manter a impressão atrás da retina como se tenta manter um amante que se despede.
Deixar um rastro - registro de que se foi.

Olhar sem motivo, sem busca, sem intenção. Um furo na camiseta, a meia de cores trocadas. Nada a oferecer. O pó no chão, os riscos de quem já passou pelo mesmo piso de linóleo, fazendo passos.
Sinapse
Estalos
Textura
Reverberar
a fala me irrita.
jogo de forças entre meu corpo e meus olhos. A busca do equilíbrio, da posição mais agradável. Exercitar o olhar é uma guerra interna. Perceber o estímulo em cima da cabeça. Perder interesse. Ganhar de novo. Qual o limite do passo? O tempo de levantar a perna - o tempo de dentro, de si. Essas sensações que as coisas me passam na distância.
quantos músculos invisíveis quantas contrações / construções (in)voluntárias antes de pisar no chão? Quantas escolhas?
Esquerda direita esquerda mais pra cima. Baixo. Devagar devagar.. com força. O pó do chão. Eu gosto de brincar com o foco do olho. Rápido, rápido, cima baixo longe perto. Olha pra luz, agora o pé. Busco aquele fio de cabelo ali e o olho se perde, vai longe. Vai perto. Enquadramento. Manipulação.
Do drama do primeiro passo nunca me distanciei.