segunda-feira, 16 de março de 2015

fogo na carne
letra infantil
meias sujas
cara limpa
nada novo
ainda não. estou de pé. estou cansada. tenho machucados. sangro. tenho suores. eu sou tão pouco. meu nome poderia ser joana marcela leticia dolores. não foi esse o registro que minha mãe me deu. não é esse o fardo que eu carrego. um mundinho nas costas. palavra escorre da boca feito escarro de doente. semente no chão. fertilizo o solo todo. dos meus pêlos nascem formigas, minhas mãos trêmulas quebram vidros. engraçado que do quebrado surge mais coisa: caco. o remendo mesmo não vale de nada. feito eu
não deu tempo de parar, de seguir, passou rápido demais, aliança no lixo, fone de ouvido no último, eu tomando chuva sem me importar com meu cabelo pela primeira vez na vida e você no portão pra me receber mesmo depois de eu ter te matado um pouquinho mais
um de cada. eu pego porque nunca soube escolher
você ri e coloca aquela mecha teimosa e meio ruiva atrás da minha orelha
andamos bêbados de passos iguais embaraçados em nós mesmos

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Qual foi o momento exato - Click - em que larguei as bonecas pra começar a acender cigarros?
Fico entediada, fatigada muito rápido. O tempo de fumar dois cigarros até o talo, queimar os dedos, descascar o esmalte e decidir por raspar as pernas.
Para Augusto dos Anjos

Dentro da noite funda um braço humano
parecia cavar ao longe uma fossa
Para enterrar minha ilusão de moça
Como a boca de um poço artesiano!