quarta-feira, 18 de maio de 2016

passar por cima dos erros como quem atropela alguma coisa.
marca no asfalto, canta pneu, vai embora.
Ignora o semáforo e as leis de trânsito.
hora do almoço nos escritórios
eu sempre faminta. Com um café no estômago e a ânsia de ter sempre algo que está longe das mãos. Escrevo poesia como quem morre, já diziam
Escrevo como quem mendiga.
remédio vencido e aquele clichê de wake-me-up-if-you-still-wants-me.
pestilentos se reconhecem pela boca que espuma palavras de amor.
A cólera vem silenciosa...
repartir palavra me parece sem sentido. eu gosto das coisas inteiras, talvez por ser, eu mesma, só metades.
o cheiro dos cigarros daqueles fumantes
o gozo dos que se julgam amantes
o o olhar dos que estão perdidos.
a fala obscurecida dos loucos
é tudo o que conta.
vista torpe. Tontura, tortura. O formigamento. água quando se tem sede. carícia pra sedes de outra natureza.
Isso basta.
Estou viva

por pouco.
essa boca que escarra é minha.
essa boca que grita, também
o sangue do corte é amargo e meu.
cabelo desgrenhado pelo vento do outono e os dentes amarelos e cheios de cáries, meus.
também é minha essa vontade de ser alguma coisa e não ser nada.
pequenas coisas de antes, agora se tornam insustentáveis
tudo agora são apenas coisas.
Uns olhos cheios de coisas
sem focar em nada.