Um fio muito fino, assim pequenino e frágil. Uma cordinha pronta para ser arrebentada, ao menor sinal.
Eu me sinto ameaçada. Se tratando disso, não possuo a menor confiança...você não sabe? Porque eu não entendo os motivos. E a qualquer momento, a corda pode arrebentar, levando tudo o que é meu com ela. Seria melhor fazer uma analogia com copos? É, eu acho que seria mais certo... Pois então imagino que o que eu represento para você é esse copo em suas mãos. Eu sou esse copo em suas mãos. Um copo qualquer, simples, comum – que me represente. Contenho todas as palavras, os encontros casuais, os gestos, o sentimento, a importância, essas coisas todas. Tudo ali no copo frágil, quebradiço. Você está entendendo?
Você segura esse copo com força, agora. Mas até quando vai zelar por ele assim com tanto carinho? Até quando seus braços terão força para continuar erguendo-o ? Até quando esse copo – que sou eu – será importante?
E se aparecer um copo mais bonito? Se lhe oferecerem outro, melhor do que esse, que contenha uma amizade melhor dentro dele – que não a minha, você o aceitará?
Meu copo indo de encontro ao chão. Espatifando em mil pedaços pequeninos e transparentes. E então, você irá me varrer, varrendo tudo o que continha no copo junto e indo de encontro ao lixo.
É exatamente isso que me causa pavor. Ser descartável. Não ser o copo que você segura nas mãos, mas sim o que fica guardado, esperando o uso. É uma analogia muito boba? Mas se você entende, acho que não há problema nisso...
Eu quero ser forte, ser a única. E até certo ponto sou, só não sei até quando.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Paisagem do fim
Qual é a paisagem do fim de um amor?
Um horizonte distante, sem cor
Tudo muito cinza.
Coisas em tons de sépia
Só para se colorir de novo
Em lápis de cores quentes
Para se ganhar calor.
Qual a paisagem do fim de um amor?
Se tudo perde a graça
E não há nada que se peça ou faça
Capaz de fazê-la voltar?
Chuva, neblina, saudade...
E eu que não sei o que digo
Começo a perceber o fim do amor
E procuro a ajuda de um amigo
Que me ampare na passagem pela dor.
Um horizonte distante, sem cor
Tudo muito cinza.
Coisas em tons de sépia
Só para se colorir de novo
Em lápis de cores quentes
Para se ganhar calor.
Qual a paisagem do fim de um amor?
Se tudo perde a graça
E não há nada que se peça ou faça
Capaz de fazê-la voltar?
Chuva, neblina, saudade...
E eu que não sei o que digo
Começo a perceber o fim do amor
E procuro a ajuda de um amigo
Que me ampare na passagem pela dor.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Gotas
Aquelas luzes machucam meus olhos
Pois tudo em mim parece frágil
Linha tênue, esperando pra quebrar.
Os trovões doem. Aparecem roxos, fortes, frios e vão de encontro aos meus olhos que são fracos demais, desacostumados demais, meus demais.
O barulho da chuva me irrita, me causa pavor. Som eterno, imutável, água indo de encontro ao vidro frio da janela. Amantes que só se encontram em dias de chuva. Gotas descendo, sinuosas, pelo vidro.
E eu, de dentro, só observo, alheia a tudo. Não sou parte da chuva, estou seca aqui, protegida. Pensando assim, não sou parte de nada. Vejo as coisas, alheia, coadjuvante. O personagem principal da minha vida é outro alguém que não eu. E sei que não sou o personagem principal na vida de ninguém. A chuva aumenta. Trovões. E os clarões voltam a rodopiar por meus olhos cansados. As lágrimas rolam e caem como as gotas da chuva na janela da sala.
Mas a chuva é o encontro dos amantes. Minhas gotas são de solidão. E, de pouco em pouco, o céu para de chorar. Já mataram a saudade – eu penso. E os clarões me deixam em paz. Só meus olhos que teimam em expulsar as gotas sem parceiros-vidros. Gotas solitárias, gotas-eu.
Pois tudo em mim parece frágil
Linha tênue, esperando pra quebrar.
Os trovões doem. Aparecem roxos, fortes, frios e vão de encontro aos meus olhos que são fracos demais, desacostumados demais, meus demais.
O barulho da chuva me irrita, me causa pavor. Som eterno, imutável, água indo de encontro ao vidro frio da janela. Amantes que só se encontram em dias de chuva. Gotas descendo, sinuosas, pelo vidro.
E eu, de dentro, só observo, alheia a tudo. Não sou parte da chuva, estou seca aqui, protegida. Pensando assim, não sou parte de nada. Vejo as coisas, alheia, coadjuvante. O personagem principal da minha vida é outro alguém que não eu. E sei que não sou o personagem principal na vida de ninguém. A chuva aumenta. Trovões. E os clarões voltam a rodopiar por meus olhos cansados. As lágrimas rolam e caem como as gotas da chuva na janela da sala.
Mas a chuva é o encontro dos amantes. Minhas gotas são de solidão. E, de pouco em pouco, o céu para de chorar. Já mataram a saudade – eu penso. E os clarões me deixam em paz. Só meus olhos que teimam em expulsar as gotas sem parceiros-vidros. Gotas solitárias, gotas-eu.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Prazo
E eu penso tanto, amor
Que um dia você vai me esquecer
E não vai lembrar nem meu nome
Cotidiano, vai passar, eu sei
E eu quero tanto, amor, que isso seja eterno
Mas sei que chegará o tempo
Paixão com data de término
Eu invento novos jeitos pra te ter
Só por mais alguns instantes.
Dói tanto, amor, saber que um dia
Não vou mais acordar pra você
Pensando que irei te ver
E já amanhecer sorrindo
É inevitável, o tempo passa.
E cada dia me aproxima ainda mais.
Paixão com data marcada
Sem nem saber se teve início.
O pranto é tanto
Mas você não sabe
Isso que te conto.
Que imagino nós dois juntos
De mãos dadas.
Levo a vida no meu ritmo
Pra não sentir saudade
Levo a vida a passos lentos
Só pra ter a sensação de ser eterno.
E desejo tanto, amor
Que posso jurar que é verdade
E até penso que meus sonhos
São realidade.
Que um dia você vai me esquecer
E não vai lembrar nem meu nome
Cotidiano, vai passar, eu sei
E eu quero tanto, amor, que isso seja eterno
Mas sei que chegará o tempo
Paixão com data de término
Eu invento novos jeitos pra te ter
Só por mais alguns instantes.
Dói tanto, amor, saber que um dia
Não vou mais acordar pra você
Pensando que irei te ver
E já amanhecer sorrindo
É inevitável, o tempo passa.
E cada dia me aproxima ainda mais.
Paixão com data marcada
Sem nem saber se teve início.
O pranto é tanto
Mas você não sabe
Isso que te conto.
Que imagino nós dois juntos
De mãos dadas.
Levo a vida no meu ritmo
Pra não sentir saudade
Levo a vida a passos lentos
Só pra ter a sensação de ser eterno.
E desejo tanto, amor
Que posso jurar que é verdade
E até penso que meus sonhos
São realidade.
domingo, 18 de outubro de 2009
Outra vez
Não sei o que acontece. Não estou doente. Não tenho febre, não tenho nenhum sintoma que indique que tenho alguma coisa. Mas então por que estou agindo de modo tão estranho?
Eu acho que sei a resposta. Acho que sei mas tenho medo de falar. É como quando se tem uma paixão e, por mais que esteja na cara e todos saibam, você não afirma.
Mas não há mais o que fazer, já me corroeu inteiramente. Essa doença que não é no corpo, na mente, no coração. Essa doença – se é que posso chamá-la assim – que surgiu de repente.
A minha doença não está em nenhum desses lugares. E não há cura, eu sei.
É ruim tê-la. É horrível. Mas se só afeta a mim, não me importo. Já deve estar a tempo demais no meu sistema, não há como tirá-la assim. Já deve ter se infiltrado em lugares que nem imagino.
Só não quero que isso vá para os outros que amo. Mas, de alguma forma sinto que está indo. E não posso aguentar isso. Essa doença é algo meu, não posso compartilhar.
Pois já disse que não posso curar. Como cuidar de alguma coisa que já corroeu a alma completamente? Sim, a alma. É aí que minha doença está. E começou a atingir as pessoas ao meu redor. Por isso, acho melhor me isolar. Parece que sempre falta alguma coisa e isso me deixa inquieta. Eu quero achar essa coisa que falta mesmo sabendo que ela não está nas ruas ou em outra pessoa: está em mim mesma. Só que sou um labirinto, indecifrável. Nem eu mesma me conheço realmente, não sei qual é meu limite. Até onde aguento isso?
Não sinto mais nada. Cara, logo eu. Eu que preciso estar sempre sentindo alguma coisa. Algum amor, algum ódio, algum arrependimento.
Preciso me encontrar. Já tentei tudo. Conversas, novas pessoas, cursos, festas, tudo. E fico feliz por algumas horas – ou pelo menos penso que sinto felicidade. Depois vem de novo aquele sentimento de coisa ausente. Aquela droga de sentimento que me faz querer chorar, desabar no chão, pedir um carinho. Os olhos em brasa, ácido agindo dentro de mim me corroendo, acabando, destruindo.
Eu só quero uma pausa...mas não posso exigir. Eu quero outra coisa... só não sei exatamente onde essa coisa está. No dia que souber, me jogo nisso com tudo. Pelo menos, com tudo o que me resta.
Eu quero, eu preciso de outra coisa. Andar sem rumo por ai, conhecendo tudo, provando qualquer coisa. Quem sabe assim o gosto volta. Quero me sentir viva, como a muito não me sinto. Porque, nesses últimos meses, não estou sendo a protagonista da minha própria vida.
O que foi que eu me tornei? O que eu deixei pra trás?
Eu quero ser capaz de sentir. De novo.
Eu acho que sei a resposta. Acho que sei mas tenho medo de falar. É como quando se tem uma paixão e, por mais que esteja na cara e todos saibam, você não afirma.
Mas não há mais o que fazer, já me corroeu inteiramente. Essa doença que não é no corpo, na mente, no coração. Essa doença – se é que posso chamá-la assim – que surgiu de repente.
A minha doença não está em nenhum desses lugares. E não há cura, eu sei.
É ruim tê-la. É horrível. Mas se só afeta a mim, não me importo. Já deve estar a tempo demais no meu sistema, não há como tirá-la assim. Já deve ter se infiltrado em lugares que nem imagino.
Só não quero que isso vá para os outros que amo. Mas, de alguma forma sinto que está indo. E não posso aguentar isso. Essa doença é algo meu, não posso compartilhar.
Pois já disse que não posso curar. Como cuidar de alguma coisa que já corroeu a alma completamente? Sim, a alma. É aí que minha doença está. E começou a atingir as pessoas ao meu redor. Por isso, acho melhor me isolar. Parece que sempre falta alguma coisa e isso me deixa inquieta. Eu quero achar essa coisa que falta mesmo sabendo que ela não está nas ruas ou em outra pessoa: está em mim mesma. Só que sou um labirinto, indecifrável. Nem eu mesma me conheço realmente, não sei qual é meu limite. Até onde aguento isso?
Não sinto mais nada. Cara, logo eu. Eu que preciso estar sempre sentindo alguma coisa. Algum amor, algum ódio, algum arrependimento.
Preciso me encontrar. Já tentei tudo. Conversas, novas pessoas, cursos, festas, tudo. E fico feliz por algumas horas – ou pelo menos penso que sinto felicidade. Depois vem de novo aquele sentimento de coisa ausente. Aquela droga de sentimento que me faz querer chorar, desabar no chão, pedir um carinho. Os olhos em brasa, ácido agindo dentro de mim me corroendo, acabando, destruindo.
Eu só quero uma pausa...mas não posso exigir. Eu quero outra coisa... só não sei exatamente onde essa coisa está. No dia que souber, me jogo nisso com tudo. Pelo menos, com tudo o que me resta.
Eu quero, eu preciso de outra coisa. Andar sem rumo por ai, conhecendo tudo, provando qualquer coisa. Quem sabe assim o gosto volta. Quero me sentir viva, como a muito não me sinto. Porque, nesses últimos meses, não estou sendo a protagonista da minha própria vida.
O que foi que eu me tornei? O que eu deixei pra trás?
Eu quero ser capaz de sentir. De novo.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Mentiras-verdades
Se foi verdade ou se não foi não importa. Eu já tô nessa a tempo demais. Nem que eu quisesse, eu não poderia mais volta a ser o que era. Eu não posso ser a mesma de antes, já que sou muito mais você do que eu mesma. Eu já tô tão cheia... Se foi mentira ou não, do que vai adiantar? Se eu já não vivo mais minha vida? Se sou inteiramente você e de nada me pareço com o que fui? Pois é essa a verdade. E a culpa nem foi sua. Eu agarrei o que pude, pra não desabar. E agora isso é tudo o que eu tenho. E é a mais absoluta verdade. Já não sei mais o que é ser eu mesma, o eu antes de você. Realmente existiu? Começo a achar que era só uma farsa. Agora sim eu me sinto completa, posso afirmar. Mesmo que essa sensação de estar completa seja falsa. Eu me sinto bem assim. Não importa se fala a verdade, se mente. No seu olhar, encontraram mentiras. Eu não ligo, realmente. Pode mentir, sorrir, falar com quem você quiser. Contanto que eu ainda tenha a sensação de estar completa. Posso ser egoísta, mas nunca fui, estou sendo pela primeira vez. Deixa eu pensar um pouquinho em mim, vai. Deixa eu afirmar ser um pouquinho completa, um pouquinho feliz, um pouquinho alguma-coisa-que-nunca-fui-e-sinto-falta. Deixa. Porque sabe, eu não consigo ficar nervosa. Eu não consigo te dar as costas, eu não. Se tudo foi farsa, então deixa assim. Não vou querer consertar o passado. Só fica assim comigo como estava sendo. Eu não ligo, mesmo! Porque eu preciso. Você não sabe que agora já não posso voltar atrás? Você não sabe que agora se fecho os olhos é você que eu vejo? E invade meus sonhos, e invade meus dias, e invade tudo o que eu ainda tenho. Compartilho as coisas mais secretas. Se eu preciso disso pra continuar... Eu não quero saber, não me interesso em saber se mentiu. Eu acredito porque preciso acreditar que você só me diz a verdade – Mesmo sabendo que é impossível alguém só dizer a verdade. Mas eu quero acreditar que você é esse alguém. Se eu não acreditar nisso, desabo. Então me deixa assim, me deixa. Porque até agora estava tudo bem. Eu não vou virar as costas. Mesmo todos falando que é o errado, sigo em frente. Porque quero. Porque preciso.
Eu tentei, juro, tentei. Tentei ficar brava, mentir, ignorar. Tentei mas simplesmente não sou eu. Não consigo. Sorrisos e olhares me encantam e me fazem esquecer qualquer raiva. Sou dessas bobas mesmo, as marionetes nas mãos de alguém. É totalmente fácil me controlar e eu sei. Mas não acho ruim. Se você me guia, deixa estar. Eu deixo você me levar. Não me diz nada, não vou pedir explicação. Porque é isso que eu quero. Só continua como antes, por favor. Eu esqueço isso. Esqueci tantas coisas... Não importa. Voltar à superfície eu não posso mais. E nem sei se quero. Estou bem aqui, no escuro, no fundo de algo que nem sei o que é. Estou bem nas teias de mentiras-verdades. Estou bem.
Eu tentei, juro, tentei. Tentei ficar brava, mentir, ignorar. Tentei mas simplesmente não sou eu. Não consigo. Sorrisos e olhares me encantam e me fazem esquecer qualquer raiva. Sou dessas bobas mesmo, as marionetes nas mãos de alguém. É totalmente fácil me controlar e eu sei. Mas não acho ruim. Se você me guia, deixa estar. Eu deixo você me levar. Não me diz nada, não vou pedir explicação. Porque é isso que eu quero. Só continua como antes, por favor. Eu esqueço isso. Esqueci tantas coisas... Não importa. Voltar à superfície eu não posso mais. E nem sei se quero. Estou bem aqui, no escuro, no fundo de algo que nem sei o que é. Estou bem nas teias de mentiras-verdades. Estou bem.
domingo, 4 de outubro de 2009
Ciclo
O encontro. Frases tímidas. Esperança. Saudade de alguém. Solidão. Abrigo. Braços que amparam. Palavras doces. Sonho. Amizade. Sensação boa. Coisa proibida. Olhares estranhos. Sentimento novo. Palavras medidas. Gestos pensados. Quatro palavras. Dor. Segredos. Reconciliação. Olhos nos olhos. Timidez. Músicas. Encontros. Palavras não ditas. Vontade. Proibição. Ritmo frenético. Coração acelerado. Companhia. Paz. Sorrisos. Sem preocupações. Vergonha. Sensações. Poemas escritos. Falta de coragem. Textos no fundo da gaveta. Memórias guardadas com carinho. A sensação de estar completa.
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