domingo, 4 de setembro de 2016

não sufocar o amor.
não matá-lo.
Pisar no molhado sempre, terreno incerto, depois da chuva. Nenhuma mãe nos prepara pro encontro, nem pra separação. Nenhuma mãe nos alerta sobre o perigo de uns olhos castanhos.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Quando o ponto de partida é também ponto de chegada.
Vida estagnada.
navalha contra pele branca
nunca mais andamos lado a lado.
na sincronia dos passos. Tua perna infinitamente maior e a minha de menina. ainda assim combinávamos acertávamos a medida dos passos e das outras coisas. Até desandar.
Nem poesia marginal, nem nada
o que faço é sangue seco no asfalto
hematoma e lembrança.
Falta e solidão. é cigarro na pele pra lembrar.
Amor contrariado cheira a fracasso. Mas só nos lembramos quando o sol não esquenta e faz frio. é aí que me ponho a escrever.
esperar o toque do interfone, colocar o despertador pra tocar.
pra falar dos discos que não escutamos juntos e das palavras que secaram na boca.


escrever poesia no metrô, engolir o choro. Se fosse permitido chorar, estávamos todos chorando.
é fácil controlar o peso do corpo pra não cair. Outros pesos - o do tempo, o da memória - necessitam mais esforço.
Que piegas.
mas não há nada de surpreendente. Nem nada novo.
Eu sou a mesma. Estagnada. Fazendo poesia ruim. Chamando teu nome.
palavra escorre pelo dedo mas fica seca na garganta.



(you made me so very happy im so glad you came into my life)